Sábado, 6 de Maio de 2006
O Pegureiro e o Lobo - Estórias de Castro Laboreiro(2)
O Pegureiro e o Lobo,
 
recomendado para as escolas secundárias galegas, em Encontro Cultural Raiano
 
No dia 1 de Abril, teve lugar na Livraria Torga em Ourense , o lançamento do Livro O Pegureiro e o Lobo - Estórias de Castro Laboreiro,  do castrejo Manuel Domingues, o qual serviu de base à realização de um encontro cultural raiano .
A sessão contou com a participação do Prof. Isaac Estraviz , apresentador do livro, do Autor, Manuel Domingues, que referiu o contexto que originou o Livro e os seus objectivos, Júlio Medela , investigador de assuntos raianos , Manuel Rivero Perez , sociólogo que abordou o papel do forno comunitário na convivência social raiana .
Américo Rodrigues, do Núcleo de Estudos e Pesquisa dos Montes Laboreiro, apresentou uma panorâmica global da paisagem cultural castreja enquanto José Domingues, igualmente do Núcleo, transmitiu algumas conclusões inéditas resultantes da sua investigação histórica sobre o relacionamento entre a tomada do Castelo de Castro Laboreiro e o Recontro dos Arcos de Valdevez, a partir dos elementos constantes da carta de couto do Mosteiro de Paderne de 16 de Abril de 1141, e que até à data, apesar da sua proximidade geográfica, ainda não foi estabelecida qualquer ligação entre os dois acontecimentos históricos da época da fundação da nacionalidade.
Participou ainda a AGAL , através do seu director Vítor Peres, que também forneceu os meios audiovisuais.
O professor Estraviz começou por situar o Livro no contexto cultural raiano , referindo aspectos da sua vivência com cenas muito semelhantes às descritas no Pegureiro e o Lobo, para significar a proximidade entre as culturas crasteja e galega. Quanto ao Livro salientou o «fantástico aspecto do livro e a excelente qualidade literária, escrito de uma forma lapidar, num português vivo, em parágrafos curtos, com um vocabulário estupendo, fazendo com que não haja nenhum português ou galego que não o entenda».
Num contexto de globalização tentam impingirmos valores e culturas estranhos, nomeadamente americanos, e este livro vem lembrar que é aqui, na zona raiana , que palpita a vida e está a Humanidade, não precisando de importar modelos da América, da Alemanha ou de qualquer outro lugar", continuou o Professor.
"O livro é marcado por dois protagonistas: o Manuel impregnado pelo amor profundo às suas raízes e Castro Laboreiro, que se exprime através das suas gentes, dos cotos e da paisagem, numa linguagem viva que escapa aos dicionaristas, porque de facto o galego e o português não tiveram origem nas cortes palacianas, nem se circunscrevem ao que consta dos dicionários. Muito antes deles já os povos o falavam e foram preservando essa cultura através de regionalismos, muitos dos quais aparecem no livro.
Por tudo isto entendo que este livro deveria estar em todas as escolas galegas do ensino secundário e ser lido por todos os amantes da cultura galega, a começar pelos que aqui se encontram", concluiu Estraviz .
Por seu lado, Júlio Medela , analisou o Livro numa perspectiva da alma raiana . «Ter nas mãos O Pegureiro e o Lobo é o regresso a casa. É o apocalipse revelador do retorno ao idêntico. É um renascimento espiritual» disse. O livro demonstra e faz fé da influência da paisagem na alma raiana , mais entranhada na natureza do que na sociedade, no cosmológico mais do que no social", continuou Medela .
Desenvolvendo a sua explanação em redor de um sentimento próprio e dum espírito totémico que enforma a mítica República dos Raianos , situando o livro no contexto da recuperação da memória histórica e semântica, indispensável à procura da realidade e aprofundamento do mito raiano .
O Encontro Cultural raiano prosseguiu após o lançamento do livro com uma visita guiada pelo Professor Estraviz a um conjunto espectacular de monumentos históricos, situado a cerca de 20 quilómetros a SE de Ourense em pequenos povoados, em Santa Marinha de Águas Santas
Em poucas dezenas de metros podiam observar-se antas ao lado de castros, e uma igreja inacabada construída sobre uma estação de banhos romanos em perfeito estado de conservação. Em toda a região paira o espírito e manifesta-se a fé numa Santa que mercê de vários milagres conseguiu escapar à perseguição romana e em cuja memória se ergue uma monumental igreja romano-gótica . É uma amostra do imenso património histórico espalhado um pouco por toda a zona raiana , que embora esquecido se encontra bem preservado. Enquanto espera melhores tempos para ser divulgado vai mantendo vivas as tradições e lendas que enformam a cultura popular da região.
Este encontro cultural foi possível pelo interesse de alguns castrejos e galegos na preservação e divulgação da sua cultura inserindo-a no processo em marcha de recuperação e defesa da paisagem cultural raiana a que O Pegureiro e o Lobo veio dar um contributo que os intervenientes consideraram como fundamental.
 


publicado por crastejo às 00:52
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